O vento traz os aromas das gentes

O vento traz os aromas das gentes, o cheiro das castanhas assadas junto à estação debruçada num braço do Douro, o fumo que enfeitiça o ar. O som das palavras, das passadas, dos risos. Os murmúrios de gente que passa, ama e esquece. As marcas daqueles que ali pisaram a calçada, ali estiveram e nada notaram.
Uns “eles” diferentes “destes”.
Aqui não há barreiras, não há muros nem obstáculos. Há apenas uma realidade diferente que finge passar despercebida. Há apenas pessoas na rua, chorando todo aquilo que são, como um espectáculo gratuito de rua para o qual ninguém se volta. Como que despindo todo o seu passado, aquelas almas deixam no chão que pisam todo o seu ser, toda a sua existência. Nas pedras da calçada, cravadas pelo choro, estão as suas memórias. O seu espírito abandonado nas falhas do pavimento negro de luto. (Pelo menos ele é solidário!).
Trespassadas pelo tempo estão as suas vitórias, enterradas no local onde todos os dias estendem a mão por um pouco de dignidade. As derrotas, essas não se escondem, são espelhadas nos seus rostos.


Ser pobre não é triste, porque pobres há muitos. Triste é ser rico, porque pobres há muitos.

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