Dias bons


De vez em quando os tempos são bons. O relógio não pára, mas o tempo não custa. Caem as gotas lá fora, mas a água no interior não escorre. Os dias parecem as horas, as horas são menos que minutos. Numa brisa de ar tudo passa e não custa. Tudo vai, nada volta e não custa.
Mas nem todos os dias são assim. Há noites longas, dias intermináveis. Há manhãs sufocantes e tardes do fim do Mundo. O sol pode brotar das árvores, mas um rio de lágrimas corre por cada folha caída. Nesses dias, as horas arrastam o tempo, o tempo arrasta o ar e nada mais resta que o vazio. 

Nesses dias, custa. Custa muito.

10 comentários:

  1. Lindo, como se podia esperar de ti! Saudades de te ler, e confesso que também tenho saudades de ter esses dias bons que falas.

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  2. O inverno e as coisas que este traz são as minhas coisas preferidas do ano :')

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  3. Amei o texto e é mesmo isso, os dias não são todos iguais, a vida é uma montanha russa!!

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