Há lugares e lugares!


Se soubesse que dia é hoje talvez fosse capaz de dizer precisamente o que fizera há um ano atrás. Lembro-me melhor do meu passado do que do presente, do actual momento que vivo. É como se no presente eu não conhecesse a pessoa que está dentro do meu corpo. Ou simplesmente tenho medo de conhecer.
Ao vaguear por aquelas ruas despidas, desprovidas de qualquer sentimento ou emoção… Aquelas ruas que se adequavam àquelas pessoas. Um silêncio mórbido, desconfortável, perturbável, era tudo o que se ouvia.
Dos milhares de motivos que me levaram a deixar aquela terra, o silêncio era o principal. O silêncio e a escuridão. A escuridão das palavras das pessoas e o silêncio das suas emoções, dos seus gestos. Era tudo tão falso, seco, vazio.
E o cheiro a mel, que se confundia com o cheiro a nada, que se encontrava em tudo.
Nem uma folha se alterou. Ao longo de três décadas, depois de ter deixado a minha morte e começado a viver, nada se alterara naquele lugar. E era assim que o classificava: a minha morte, a minha vergonha.
A cada passo que dava, ao longo da pequena avenida povoada por poeiras e folhas, tinha a percepção de que tudo está à minha espera. Era como se esperassem por mim para viver. Mas a espera daquele lugar podia continuar, pois eu já vivera ali tempo suficiente para morrer, não o voltaria a repetir.


4 comentários:

  1. claramente, são passos! o importante é acreditarmos em nós :)

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  2. obrigada, segui de volta (:
    // será que podes fazer um favor? basta passar pelo separador "és o melhor de mim e sabes bem disso" do meu blogue e lá no fundo escolher algo como "gosto muito", "identifico-me tanto" ou "vocês são tão fofinhos", por favor e obrigada (:

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  3. não imaginas como é bom ouvir isso ((:, obrigada!

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